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21 Dez
UV
Selfies

O Mar que separa também une

O Mar que separa também une: Pintura, Poesia, um só Horizonte propõe um diálogo poético-pictórico entre artistas visuais e poetas de dois territórios profundamente interligados pela cultura e pelo mar: os Açores e o Continente. Mais do que um espaço físico, o mar afirma-se aqui como lugar simbólico de circulação, memória e aproximação.

As obras nascem de um exercício de escuta e tradução recíproca: artistas do continente interpretam versos de Natália Correia, Antero de Quental e Álamo Oliveira, enquanto artistas açorianos respondem a poemas de Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa e Herberto Helder, convertendo a palavra poética em imagem, matéria e ritmo visual.

Os poemas escolhidos abordam temas centrais: o mar, enquanto força de união e vastidão; a mulher, como presença inspiradora e potência poética; e o amor, expressão de encontro e energia vital que atravessa a palavra e o gesto artístico. São eixos que revelam afinidades sensíveis e constroem pontes entre vozes, geografias e linguagens, mostrando aquilo que une, transforma e transcende.

Entre cores, gestos, texturas e versos, esta exposição afirma-se como um território de escuta ativa, onde a pintura não ilustra a palavra, antes a prolonga, a tensiona e, por vezes, a contradiz. Como escreveu Paul Klee, “a arte não reproduz o visível, torna visível” — e é precisamente nesse espaço de revelação que estas obras se inscrevem, transformando o poema em matéria sensível e o verso em campo pictórico.

Neste cruzamento entre linguagens, a geografia perde rigidez e transforma-se em relação. Açores e Continente deixam de ser margens opostas para se tornarem campos de ressonância, unidos por memórias, afetos e inquietações comuns.

Com curadoria de Ana Cristina Baptista, a exposição convida o visitante a explorar esta leitura cruzada entre poesia e pintura que desenham um horizonte comum, onde a palavra encontra forma e a imagem encontra voz.

Sobre os artistas

 

César Martiniano (Angra do Heroísmo, Açores, 1995)

Desde cedo envolvido com artes visuais e pintura, iniciou formação académica em Ciências e Tecnologia, mantendo a arte como hobby. Em 2013, participou como Jovem Criador no Festival Walk&Talk, marcando a decisão de se dedicar profissionalmente à área criativa. Em 2016 licenciou-se em Design Gráfico pela ESAD — Caldas da Rainha.

Entre 2016 e 2018 conciliou design gráfico e pintura mural, criando obras na Ilha Terceira e em Fort Wayne (EUA), participando em diversos festivais artísticos. Em 2018 venceu o 6.º LAB Jovem na categoria de Artes Digitais.

Mudou-se para o Porto, concluindo em 2020 o Mestrado em Design Gráfico e Projetos Editoriais na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com a dissertação “Arquipélago DADA: Uma fonte humanista sem serifa para composições visuais expressivas”.

Atualmente residente na Ilha Terceira, transita para artista a tempo inteiro, focando-se na pintura abstrata. Participou em exposições e feiras em cidades como Nova Iorque, Miami, Berlim, Paris, Florença, Basileia, Milão e várias cidades portuguesas.

Em 2024 realizou uma exposição individual de longa duração no Museu de Angra do Heroísmo e teve uma obra adquirida pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

 

David Reis Pinto (Faro, 1987)

Iniciou formação em Artes Visuais no Liceu Diogo de Gouveia e, em 2007, ingressou no Mestrado Integrado em Arquitetura da Universidade de Évora, conciliando o curso com prática profissional e criando, nos últimos anos, aguarelas de grande formato.

A atividade expositiva começa em 2017 com a série de retratos de laureados com o Prémio Pritzker na Universidade de Évora. Em 2018 realiza exposições individuais no Hotel Mundial e no Hotel Portugal e colabora com a estilista Didimara. Em 2019 integra o coletivo Oficina Impossível e apresenta a individual Rostos Icónicos Adentro, expandindo o projeto em séries subsequentes, como Panteão, dedicada a personalidades portuguesas.

Entre 2020 e 2022 realiza exposições individuais (Le Carrousel d’Art e Identity), participa em mostras solidárias e coletivas, e torna-se artista residente na galeria Arty Collections, em Azeitão.

Em 2022 apresenta a exposição individual Identity, no Coletivo 284, em Lisboa.

Está representado em coleções públicas e privadas em Portugal, México, EUA, Brasil, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Angola e Israel.

 

Francisca Coutinho (Lisboa, 1993)

Licenciada em Pintura pela Universidade de Lisboa, trabalha com múltiplos materiais — tinta, papel e gesso — explorando textura, cor e narrativa visual. A sua criação é intuitiva e introspetiva, combinando abstrato e figurativo, com obras que evocam paisagens e objetos através da luz e da cor. A originalidade das suas colagens revela-se na forma como transforma estudos de desenho em composições eloquentes, criando narrativas visuais de materiais e emoções.

Nas suas obras, as formas podem surgir desfeitas e abstratas, sem perder o sentido figurativo que se manifesta através do jogo entre forma e luz. As paisagens e os objetos que representa apelam aos sentidos e convidam à contemplação, numa imersão de cor e de intimidade.

Está representada em várias coleções particulares.

Vive e trabalha em Lisboa, onde tem o seu atelier.

Exposições selecionadas:

2023 - Narrativa Pictórica do Amor, coletiva, Lisboa; Visions, Canvas International Art Fair, coletiva, Veneza

2022 - Contemporary Landscapes, coletiva, CICA Museum, Coreia do Sul; Atlas of ideal landscapes, coletiva, Lisboa; Geometria al Cubo, coletiva, Sevilha

2021 - O Encantamento da Diversidade, coletiva, Lisboa; Untitle, coletiva, Lisboa

2020 - A Clue to Reality, coletiva, Lisboa

 

Ivo Baptista (Lisboa, 1975)

Artista plástico desde 1990, participou em diversas exposições coletivas de pintura, desenho, ilustração e banda desenhada. Os seus trabalhos de pintura e ilustração foram publicados em várias edições, entre as quais o jornal Le Monde, as Edições Néveda e a MiratecArts.

Desenvolveu projetos de adereços e cenografia para companhias como Palco Oriental, Spum Light e POP – Festival de Artes e Ofícios do Espetáculo. Trabalhou como colorista de desenhos animados no grupo canadiano Nelvana, experiência que reforçou a sua ligação entre a imagem, a cor e a narrativa visual.

Estudou Artes Gráficas na Escola Secundária António Arroio e frequentou o curso de Ilustração do ARCO – Centro de Arte e Comunicação Visual. Concluiu a sua formação artística no curso de Desenho e Pintura da Rotring Portugal, sob orientação do pintor Duran Castainbert, e é licenciado em Educação pela Escola Superior de Educação de Lisboa.

Reside na Ilha de São Miguel, Açores, desde 2008, onde desenvolve o seu trabalho artístico.

Em 2021 apresentou a exposição individual S.E.A., na galeria A Tasca, em Ponta Delgada.

 

Sara Rocha Silva (S. Miguel, Açores, 1987)

Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2016), frequentou também o curso de Cerâmica e Azulejaria orientado pela formadora e artesã Maria Cristina Borges, no Quadradinho, Ribeira Grande. Atualmente, trabalha sobretudo com pintura a acrílico. As suas pinceladas procuram apreender o movimento, os limites e as relações cromáticas percebidas, de forma expressiva e intrinsecamente ligada ao gesto do desenho.

O seu percurso artístico desenvolve-se entre a pintura e o desenho, destacando-se igualmente pela criação de retratos e por uma obra inspirada num poema de Frederico Madeira.

Em 2022 colaborou no projeto Arte Viva, onde pintou em espaços públicos, e participou no I Encontro Literário de Ponta Delgada, no qual expôs e retratou uma modelo de folclore local. Entre 2019 e 2023 integrou a organização do grupo Urban Sketchers Açores.

Vive e trabalha em S. Miguel, Açores.

Exposições selecionadas:

2025 - Ler Arte, exposição individual; Sem Título, coletiva

2024 - Descentralizar – O Spot, individual; Entre o Banal, individual; PDL - Artes e Letras, coletiva

2023 - 15 em Arte, coletiva itinerante, Açores

2022 - Cultura no Centro, coletiva; The Art-ist Great, colectiva

2021 - (a)Riscar o Património 2021, coletiva

2019 - “JOV’ ARTE | Bienal Jovem 2019 – Câmara Municipal de Loures”, coletiva; XXI Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante, coletiva, Seixal; ALCARTE 2019, coletiva, Alcochete

 

Sofia Pessoa Jorge (Torres Vedras, 1997)

Trabalha sobretudo com óleo e acrílico, explorando nos últimos anos uma ampliação da escala dos suportes. A sua investigação tem-se centrado no desenho de paisagens — a partir de registos in situ ou de memórias visuais — onde a figura humana surge integrada no território, numa interligação que atravessa toda a sua obra e se afirma como tema recorrente.

Estudou Desenho e Pintura no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, após frequentar cursos anuais na Faculdade de Belas-Artes do Porto. Em 2021 realizou um curso intensivo de Retrato no Charles H. Cecil Studios, em Florença.

Vive e trabalha em Lisboa

Exposições selecionadas:

2025 - Lugares que Ficam, individual; Sinais de Esperança, coletiva;

2024 – Nos Entretantos, individual, Atelier da Graça, Lisboa.

2023 - Arte e Torreense, coletiva; Entre o Real e a Memória, individual; Exterior Interior, individual.

2022 - EKTA x Safra, coletiva; Participação no projeto e residência artística Art & Craft, Residências Refúgio

Sobre a Romanti Cultura

A marca Romanti Cultura surge como uma extensão da empresa Romanti Casino Azores, Jogo e Animação Turística, SA na prossecução da sua missão de desenvolvimento sustentável de projectos na área do entretenimento e da cultura, respeitando a envolvente socio-económica e oferecendo valor aos seus clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e comunidade em geral.

Reconhecendo a importância de criar experiências culturais acessíveis e envolventes, a empresa assume o papel de facilitador, tendo criado a marca Romanti Cultura para através desta promover iniciativas culturais que realcem o valor da arte e das expressões criativas na vida da comunidade.

Sendo a arte uma linguagem que dá acesso a novas formas de ver o mundo, que possibilita reflexões profundas sobre a realidade, que promove ligações entre diferentes culturas e que fomenta a criação de empatias, pretende a Romanti Cultura proporcionar à comunidade em geral, projectos e iniciativas que transcendam barreiras e aproximem o público de dimensões emocionais, intelectuais e sociais que ampliem a compreensão do ser humano e da sociedade.

Com o objectivo de colocar a cultura ao serviço da sociedade, proporcionar um espaço dinâmico e inclusivo onde a arte possa ser apreciada e discutida, através de uma programação anual, abrangente e diversificada nasce o Projecto Pontes Culturais. Este projeto, encarna a missão da Romanti Cultura de promover o intercâmbio cultural e fortalecer os laços entre os artistas locais, nacionais e internacionais, reforçando o elo entre o público e as experiências artísticas.

Com exposições, performances, workshops e outras atividades ao longo do ano, o projecto Pontes Culturais, da Romanti Cultura, é uma plataforma para o diálogo com que pretende envolver e inspirar o público, incentivando à sua participação activa na vida cultural da região.