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21 Dez
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100 anos do Café Royal honram identidade coletiva de Ponta Delgada, destaca Pedro Nascimento Cabral

  • 21-01-2026
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, esteve nas comemorações dos 100 anos do Café Royal, afirmando tratar-se de um símbolo e espaço histórico da cidade que, ao longo de um século, marcou profundamente a vida social, cultural e económica do concelho. “Reunimo-nos hoje não apenas para assinalar uma data, mas para honrar um século de vida, de memórias, de encontros e de identidade coletiva. Celebrar os 100 anos do Café Royal, aqui em Ponta Delgada, é celebrar muito mais do que a longevidade de um estabelecimento. É celebrar um lugar onde a cidade respirou, pensou, discutiu, sonhou e se reconheceu ao longo de cem anos”, frisou. Pedro Nascimento Cabral partilhou, por isso, a convicção de que o Royal nunca se resumiu a um mero “ponto de venda”, mas sim como um lugar que “cruzou gerações e destinos”, afirmando-se despretensiosamente como património vivo de Ponta Delgada. “Ao longo de um século, estas paredes ouviram confidências e debates, silêncios e gargalhadas, inquietações e esperanças. Aqui sentaram-se trabalhadores, estudantes, intelectuais, comerciantes, artistas, políticos e viajantes. Aqui nasceu a rotina diária de muitos micaelenses e aqui se construiu, sem o saber, uma parte essencial da memória viva da cidade”, sublinhou. Numa breve resenha histórica, o autarca destacou ainda a forma como o estabelecimento comercial acompanhou as transformações profundas por que passou o país e, de um modo particular, a ilha de São Miguel e a Região, desde que foi inaugurado a 20 de janeiro de 1926. “O Café Royal viu passar ditaduras e democracias, crises e renascimentos. Assistiu às grandes transformações do século XX, às mudanças sociais, económicas e culturais, e permaneceu sempre como um porto seguro — tal como o porto ali perto, que lembra a ligação profunda dos Açores ao mundo”, disse, sem evitar lembrar também a Revolução do 25 de Abril, a manifestação do 6 de junho de 1975 e a consagração do regime autonómico na Constituição de 76. “Durante esses anos intensos, espaços como o Café Royal continuaram a cumprir o seu papel silencioso mas fundamental: serem lugares de encontro e de diálogo. Aqui discutiu-se o que estava a acontecer. Aqui se expressaram medos e esperanças. Aqui se pensou o futuro. Porque um café histórico não faz política — mas acolhe quem a pensa. E esse é um valor imenso”, declarou. Entretanto, Pedro Nascimento Cabral fez questão de realçar a forma como, fruto do empenho da atual gerência, o emblemático espaço comercial tem sabido responder às exigências do presente sem comprometer a sua essência. “O Café Royal soube adaptar-se aos tempos sem perder a alma. Soube manter a sua identidade, o seu ambiente acolhedor, a proximidade com as pessoas. Desde 1991, com nova gestão, a cargo de José Maria Tavares Dias, manteve vivo o espírito de sempre: respeito pela tradição, atenção ao cliente, sentido de pertença. Em jeito de homenagem e para assinalar a longevidade do espaço comercial, Pedro Nascimento Cabral entregou uma lembrança do Município a José Maria Tavares Dias, momento que ficou marcado pela forma visivelmente emocionada como acolheu o gesto. Para o autarca, “o Café Royal é - e será sempre – um símbolo de Ponta Delgada”, onde “cada mesa se confunde com a história dos Açores” e “cada parede poderia falar”. “Celebrar os 100 anos do Café Royal é reconhecer que a história não se faz apenas de datas e acontecimentos oficiais. Faz-se de pessoas como o José Maria e lugares como este. Lugares onde a vida acontece todos os dias, onde a comunidade se constrói, onde a identidade se fortalece. Hoje, vivemos numa Região Autónoma madura, consciente do seu passado e confiante no seu futuro. E esse futuro constrói-se com memória. Sem esquecer quem fomos, o que vivemos, o que superámos. Por isso, este centenário não é apenas uma celebração do passado. É um compromisso com o futuro. Um compromisso para que o Café Royal continue a ser um espaço de encontro, de diálogo, de humanidade — tal como sempre foi. Que continue a ser um lugar onde se entra para beber um café…e se sai com uma história”, exortou.