“Ponta Delgada 26 é a certeza de que a cultura não é um passado fechado, mas sim um futuro em construção”, Pedro Nascimento Cabral
- 29-01-2026
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, afirmou, esta quinta-feira, que “Ponta Delgada 26 é a certeza de que a cultura não é um passado fechado, mas sim um futuro em construção”, sublinhando que a distinção como Capital Portuguesa da Cultura representa um “compromisso duradouro com a identidade, a autonomia e a projeção cultural do concelho”.
“Hoje fazemos o reconhecimento da história viva que é a nossa identidade, que nasce da natureza que nos envolve e nos molda: a terra vulcânica, o verde intenso da paisagem, o azul do oceano profundo, a bruma que não entorpece o olhar e é inspiração para artistas, artesãos, músicos, escritores e criadores”, disse o autarca.
Pedro Nascimento Cabral falava durante a cerimónia oficial de abertura de “Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura”, que decorreu no Coliseu Micaelense, numa sessão solene marcada por uma forte carga simbólica, histórica e institucional.
No seu discurso, o autarca salientou que a instalação deste projeto assume um “significado reforçado” por coincidir com os 50 anos da consagração da autonomia político-administrativa dos Açores na Constituição da República Portuguesa, frisando que “mais do que o simbolismo da data, é o reconhecimento de uma reivindicação de séculos que consolida a condição da cultura como pilar autonómico que confere pujança ao nosso progresso”.
“Ponta Delgada 26, é para nós, uma conquista que valoriza o nosso compromisso integral para com todas as vertentes do desenvolvimento, no reconhecimento de tradições seculares que enaltecem a história do concelho, da Região e, acima de tudo, o povo dos Açores”, acrescentou.
Ao projetar a PDL26 como “um espaço que converge várias vozes, expressões e sensibilidades”, Pedro Nascimento Cabral explicou que “é uma ideologia que nos coloca no lugar de amanhã, onde a tradição e a contemporaneidade dialogam com naturalidade”, defendendo uma cultura viva, participada e transformadora.
O autarca destacou igualmente a dimensão cívica e humanista da iniciativa, referindo que a mesma “ergue as bandeiras da liberdade, da tolerância e da irreverência, recusando o conformismo e convocando o pensamento crítico, a criatividade e a coragem cívica”, numa afirmação clara da cultura como motor de cidadania ativa.
“Aqui, a insularidade não é limite, mas impulso”, concluiu, assumindo a PDL26 como um símbolo duradouro do legado que se pretende deixar às gerações futuras: “a expressão de um profundo orgulho na nossa cultura e de uma consciência firme da nossa identidade, assente na construção de um Portugal que também se faz aqui”.
A cerimónia foi conduzida pela Comissária da PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura, Katia Guerreiro, e contou com intervenções institucionais da Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, do Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e do Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia.
Para além das entidades oficiais, estiveram também presentes alunos de várias escolas do concelho, reforçando o envolvimento da comunidade educativa e das novas gerações no projeto.
No fim do evento, o público teve a oportunidade de assistir ao espetáculo “Deixa Passar a Vida”, com direção artística de António Pedro Lopes, direção musical de Marco Torre, e a participação de reconhecidos intérpretes da música açoriana, como Zeca Medeiros e Rafael Carvalho. Concebido a partir do poema “Ode à Paz” de Natália Correia, o espetáculo deu corpo artístico ao espírito humanista e universal que inspira a Capital Portuguesa da Cultura.