Colóquio Sombra-Luz afirma PDL 26 – Capital Portuguesa da Cultura como projeto de coesão territorial em Ponta Delgada
- 30-01-2026
A Vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, afirmou que o colóquio Sombra-Luz, dedicado à vida e obra da artista plástica de Lourdes de Castro, assinala como projeto de coesão territorial em Ponta Delgada e na Região.
“Este colóquio enfatiza um dos objetivos de Ponta Delgada - Capital Portuguesa da Cultura 2026 – de ser um projeto de coesão territorial, aberto ao que de melhor se faz a nível do nacional e até internacional, criando uma ponte de diálogo entre Ponta Delgada e os Açores a todo o país”, sublinhou a autarca, na sessão solene de abertura do evento, realizada na Aula Magna da Universidade dos Açores.
O projeto Sombra-Luz integra o programa complementar da PDL 26 – Capital Portuguesa da Cultura e decorre ao abrigo de uma parceria entre a UAc e os Governos Regionais da Madeira, dos Açores e da Sociedade Nacional de Belas Artes, no âmbito da realização da exposição “Existe Luz na Sombra”, projeto apoiado pela DGARTES através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.
Para Cristina do Canto Tavares, a realização deste colóquio nos Açores, com “foco numa das figuras maiores da arte contemporânea portuguesa”, é uma clara expressão de uma estratégia de cooperação “interinstitucional e intersectorial”, que demonstra que “a cultura se constrói em rede, com visão, com confiança mútua e com a convicção de que a descentralização cultural é um instrumento essencial de democracia”.
Não quis, entretanto, deixar de realçar a “dimensão educativa” da iniciativa, enaltecendo a correspondência com um dos eixos centrais do projeto PDL 26 – Capital Portuguesa da Cultura.
“Consideramos fundamental que a cultura esteja presente no ensino e na educação, não como ornamento, ou apenas com função de entretenimento, mas como ferramenta de “despertares” – o despertar do pensamento, da liberdade e da cidadania. Só assim formaremos públicos informados, criativos e capazes de dialogar com a complexidade do nosso tempo, fazendo lema da PDL 2026 como “O Lugar do Amanhã”, onde as atuais e futuras gerações sejam capazes de mudar o mundo pelos valores humanistas que a cultura fomenta”, realçou.
Num dia marcado pelo arranque do projeto PDL 26 – Capital Portuguesa da Cultura, Cristina do Canto Tavares destacou a participação de investigadores, curadores, artistas e criadores de reconhecido mérito nacional e regional no colóquio Sombra-Luz, considerando ser revelador de uma Ponta Delgada que se afirma como “território de encontro” e de dimensão cultural atlântica.
“Ponta Delgada, enquanto Capital Portuguesa da Cultura, assume o compromisso de ser um território de encontro: entre ilhas, entre gerações, entre disciplinas artísticas, entre criadores e o conhecimento. Este colóquio é um exemplo claro dessa missão e um contributo valioso para a afirmação de uma cultura atlântica contemporânea, aberta e colaborativa”, enfatizou a Vereadora.
O colóquio Sombra-Luz assinala o encerramento da itinerância nacional da exposição “Existe luz na Sombra”, em cartaz no Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas do Açores até domingo.
Também nos próximos dois dias, e em homenagem a Lourdes de Castro, o Arquipélago recebe a visita dançada, “Gosto de andar à sombra”, da Companhia Dançando com a Diferença.
Lourdes de Castro nasceu a 9 de dezembro de 1930 no Funchal, na ilha da Madeira, local que estaria sempre ligado ao seu trabalho e onde viveu os últimos anos da sua vida, falecendo em 2022.
É tida como uma das vozes mais singulares e inovadoras da arte portuguesa do século XX e uma das mais conceituadas mulheres artistas.
A sua obra destaca-se pela exploração sistemática de técnicas que transformam o transitório em permanente, interrogando os limites da representação.
Os seus trabalhos iniciais pendem para a pintura e para a abstração, mas rapidamente evoluíram para um universo de objetos, sombras e transparências. As sombras foram o seu primeiro foco. Trabalhou sobre objetos do quotidiano, silhuetas humanas (inclusive suas, de René Bértholo ou de amigos) ou formas abstratas que eram projetadas e fixadas emtelas ou superfícies translúcidas, muitas vezes com recurso a acrílicos e plexiglas.
Em 2020, no dia em que completou 90 anos, a artista foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Ministério da Cultura.
Foi, ainda, condecorada pelo Presidente da República como Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.